• O Governo do Estado de Mato Grosso criou o Movimento Investe Brasil e está percorrendo diversas cidades para defender a tese da reestruturação da dívida pública dos Estados e municípios brasileiros. O movimento está sendo liderado pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, que determinou ao secretário de Fazenda, Eder Moraes, difundir e buscar adesão à proposta, apresentando a idéia a empresários nacionais, federações, confederações, senado, câmara federal,
    entre outros, com o objetivo de colher assinaturas em prol dessa luta pelo desenvolvimento do Brasil.
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MT propõe moratória de 2 anos para dívidas de Estados e municípios

quinta-feira, 5 de março de 2009

*Por Fatima Lessa, especial para AE Cuiabá

Diante de um cenário que já demonstra sinais de desaceleração das atividades econômicas no país, o secretário de Estado da Fazenda de Mato Grosso, Eder Moraes percorre o país de norte a sul encabeçando movimento que visa a reestruturação das dívidas dos Estados e municípios. O secretário pretende mobilizar governadores, prefeitos, empresários, parlamentares e centrais sindicais. Ele pondera que a última reestruturação das dívidas aconteceu há mais de dez anos. ‘Era outra época‘, disse.

Essa reestruturação, que consiste numa moratória de dois anos sobre os juros e encargos das dívidas dos Estados e municípios junto ao governo federal, se baseia em dois pontos. O primeiro seria a retirada do IGP-DI como indexador inflacionário para os contratos com a União O secretário disse que a soma do IGP-DI mais os juros pré-fixados de 6,5% representou correção a 19% sobre o valor total da dívida em 2008. A situação dos municípios é ainda pior pois os juros pré-fixados chegam a 9%. E o segundo ponto é a redução de 15% para 13% o comprometimento da receita líquida real para o pagamento anual das prestações das dívidas contratadas ao amparo das leis federais.

Hoje, a dívida dos Estados com a União, chega R$ 310 bilhões. Se a proposta ’vingar‘ só o Estado de Estado de Mato Grosso deixará de desembolsar em 2009, R$ 710 milhões. Desse total R$ R$ 240 milhões para o pagamento principais da dívida e o restante para o pagamento de juros e correção monetária. ‘Não estamos pedindo dinheiro‘, afirmou o secretário.

O dinheiro que deixa de ser pago de juros e correção monetária irá, pela proposta do secretário para um fundo de investimento e não poderá ser usado para custeio da máquina. Será usado apenas para obras de infraestrutura. ‘Essa é a proposta. Injetar recurso na economia real para que se mantenha aquecida e acima de tudo dando perenidade e sustentabilidade para empresas e atividades econômicas do país‘, disse.

O secretário finalizou observando que desde o início da crise, as ações propostas pelo governo federal tem mexido nas receitas dos Estados e municípios. Ele cita, por exemplo, a redução do IPI. ‘Não dar para aceitar pacificamente‘, disse lembrando que o Brasil usa o dinheiro do BNDES para financiar países vizinhos a taxas de juros 50% menores do que a aplicada para os Estados e municípios‘. O secretário visitou ontem (4) os secretários de Fazenda do Rio de Janeiro e de São Paulo. Tem agendadas reuniões com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Mato Grosso pede pacote anticrise para os Estados

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O governador Blairo Maggi (PR-MT) pede o fim da indexação e
uma moratória de dois anos no pagamento de juros e encargos

Rodrigo Vargas / Agência Folha

Se a União pode desembolsar bilhões para ajudar o setor privado a enfrentar a crise internacional, também deve ajudar Estados e municípios a amenizar os efeitos da queda na arrecadação que se avizinha.

Eder Moraes e Blairo Maggi

Eder Moraes e Blairo Maggi

O argumento vem sendo usado pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), para dar impulso a uma ampla proposta de renegociação das dívidas com a União - que inclui o fim da indexação e uma moratória de dois anos no pagamento de juros e encargos.

O secretário estadual Eder de Moraes (Fazenda) diz que as mudanças combateriam a “falta de liquidez estatal” para investimentos durante o período de “turbulência” e “desaceleração da atividade econômica”.

“O governo teve boa vontade para gastar R$ 250 bilhões em ajuda ao setor privado, então é justo que Estados e municípios sejam também amparados neste momento com a reestruturação da dívida”, avalia Moraes.

O valor total das dívidas, renegociadas na década passada pelo governo FHC, é superior a R$ 330 bilhões.

A principal medida, na opinião do secretário, é a retirada da indexação da dívida pelo IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna). Em 2008, segundo ele, a combinação de juros prefixados -de 6,5% ao ano- mais o indexador representou de 19% a 21% de correção sobre o valor total.

“É impossível sustentar essa correção. É uma relação de agiotagem”, compara.

Uma alternativa menos drástica, também prevista na proposta, é a substituição do IGP-DI pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor). “Se este fosse o indexador, Mato Grosso teria economizado cerca de R$ 1 bilhão desde 1998″, afirma.

Sobre o pedido de suspensão temporária do pagamento de juros e encargos em 2009 e 2010, Moraes diz que os valores economizados seriam integralmente direcionados a investimentos “sociais e econômicos”, e não no custeio da máquina.

A ideia ganhou site e abaixo-assinado na internet (www. movimentoinvestebrasil. com.br). “A sólida situação macroeconômica do país [permite] que a Secretaria do Tesouro Nacional possa absorver essa proposta sem nenhum prejuízo ao equilíbrio fiscal do país”, diz texto da página.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Fazenda informou que o Tesouro não comenta propostas relacionadas à divida pública.

A Secretaria da Fazenda de Minas Gerais disse apoiar a proposta de troca do indexador. A Fazenda do Paraná disse que concorda com “uma reestruturação das dívidas, e não simplesmente uma moratória, que tem grandes implicações financeiras”. A Secretaria da Fazenda de São Paulo disse desconhecer a proposta.


Fonte:
Folha de São Paulo