• O Governo do Estado de Mato Grosso criou o Movimento Investe Brasil e está percorrendo diversas cidades para defender a tese da reestruturação da dívida pública dos Estados e municípios brasileiros. O movimento está sendo liderado pelo governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, que determinou ao secretário de Fazenda, Eder Moraes, difundir e buscar adesão à proposta, apresentando a idéia a empresários nacionais, federações, confederações, senado, câmara federal,
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Proposta encampada por MT será destaque em evento de presidentes do Legislativo

sexta-feira, 8 de maio de 2009

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A proposta mato-grossense de reestruturação da dívida dos Estados com a União será a bandeira do 6° Encontro do Colegiado dos Presidentes de Assembleias Legislativas, que inicia nesta quinta-feira (07.05), em São Paulo (SP). O secretário de Estado de Fazenda, Eder Moraes, será um dos palestrantes da sexta-feira (08.05), convidado diretamente pelo presidente do Colegiado, deputado mineiro Alberto Pinto Coelho. Eder Moraes irá explicar aos pelo menos 20 presidentes que já confirmaram presença os termos técnicos e a relevância deste novo pacto como uma ação anticíclica em relação à crise econômica mundial.

Se a proposta for aprovada em sua íntegra, a estimativa é que, somente em Mato Grosso, R$ 500 milhões ao ano deixem de ser pagos em juros da dívida para serem empregados em obras de infraestrutura. Seria possível asfaltar cerca mil quilômetros todos os anos com este valor. A proposta já foi aprovada por unanimidade durante a última reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), sendo assim uma vontade conjunta dos gestores fazendários de todo o país.

O momento atual é propício para a negociação na opinião do secretário mato-grossense. “A queda no consumo possui um efeito cíclico de desaceleração da economia. Este cenário internacional está derrubando as taxas de juros em todos os países, e aqui no Brasil não pode ser diferente”, comentou Eder Moraes.

A dívida dos Estados com a União já chega aos R$ 348,8 bilhões com a Secretaria do Tesouro Nacional (STN). A proposta defendida por Mato Grosso cobra a retirada do IGP-DI e do IGP-M como indexadores dos contratos firmados à luz das Leis Federais nº 9.496/97 e nº 8.727/93. Outra solicitação é a redução em dois pontos porcentuais do nível de comprometimento da receita corrente líquida dos Estados e municípios para pagamento das parcelas das dívidas renegociadas.

A proposta ainda defende que os recursos economizados com a reestruturação dos contratos sejam exclusivamente investidos em infraestrutura econômica, não podendo ser gastos com despesas de custeio. Acompanha o secretário Eder Moraes no evento o assessor econômico da Secretaria de Fazenda, Vivaldo Lopes.

Fonte: Daniel Dino ASC/Sefaz-MT

Mato Grosso se mobiliza e consegue avanços junto ao governo federal

sexta-feira, 8 de maio de 2009

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Mato Grosso conseguiu vitória importante nesta quarta-feira (15.04), em Brasília (DF), na reunião com o secretário do Tesouro Nacional (STN), Arno Augustin, e secretários de Fazenda dos principais estados brasileiros. O foco foi discutir pleitos dos estados ao Ministério da Fazenda pela perda de arrecadação em razão da crise e da queda no repasse ao Fundo de Participação dos Estados (FPE).

Conforme o secretário de Fazenda, Eder Moraes, que esteve presente na reunião, Mato Grosso obteve sinal verde da STN para realizar operação de empréstimo, liderada pelo governador Blairo Maggi, de R$ 250 milhões, junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), para aquisição de equipamentos e conjunto de máquinas pesadas para utilização em convênios com as prefeituras nos 141 municípios mato-grossenses.

O maquinário, composto por caminhões de lixo, basculantes, retro-escavadeiras, pás-carregadeiras e motos-niveladoras, serão de propriedade do estado de Mato Grosso e farão serviços de recuperação das vias urbanas e entornos dos municípios. “A análise preliminar da STN está atribuindo capacidade técnica e contratual ao Estado de Mato Grosso para realizar o empréstimo, que será 100% destinado para investimento de infraestrutura dos municípios”, informou Eder Moraes.

Outro avanço conseguido, disse o secretário de Fazenda, foi à simplificação do Cadastro Único de Convênio (CAUC) para dar mais celeridade e facilitar a liberação de recursos da União aos estados. Além disso, foi comentado o estudo com bancos públicos de uma linha de crédito emergencial, em torno de R$ 150 milhões, no caso de Mato Grosso, para aplicação em investimentos, a fim de cobrir as perdas de receitas com a redução do FPE. Diferente do que foi concedido aos municípios, esta linha de crédito seria subsidiada pelos estados, com possibilidade de parcelamento em 72 meses, e dois anos de carência.

“Este montante não resolve os nossos problemas, mas pelo menos cobre as perdas que o estado terá com o FPE. Isso ainda vai passar pela aprovação dos governadores e depende da aprovação do Congresso Nacional”, completou Moraes. Uma outra discussão foi a celeridade na distribuição, ainda no primeiro semestre deste ano, de R$ 1,35 bilhão referente ao ressarcimento da Lei Kandir de 2008. Sobraria a Mato Grosso cerca de R$ 100 milhões.

DÍVIDA PÚBLICA

Sobre a proposta de reestruturação da dívida pública dos estados e municípios brasileiros encampada pelo governador Blairo Maggi, o secretário Eder Moraes explicou com muita clareza durante a reunião, que Mato Grosso propõe o reequilíbrio econômico do contrato e não o refinanciamento. “Não estamos alongando o passivo e sim readequando os contratos à nova realidade econômica do país”, disse o representante mato-grossense.

Segundo Moraes, independentemente dos avanços conseguidos junto à STN nesta quarta-feira, os secretários de Fazenda dos estados deixaram claro ao secretário Arno Augustin que estão se mobilizando através da Medida Provisória aprovada por todos os presentes no último Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em Teresina (PI).

“Avisamos que Mato Grosso está liderando o Movimento Investe Brasil em todo o país, e que vamos para as ruas, para o Congresso Nacional, ao presidente Lula, ao vice-presidente da República, José Alencar e à ministra Dilma Roussef, com o objetivo de sensibilizar a sociedade brasileira para a reestruturação econômica dos contratos da dívida pública, e que isso só será possível pelo viés político. Não temos nada contra a STN e o governo federal, mas a favor do povo brasileiro”, ressaltou Eder Moraes.

Por fim, o secretário Eder disse que Arno Augustin destacou que Mato Grosso está desempenhando um papel fundamental na discussão do endividamento público brasileiro, e que historicamente nenhum estado tinha provocado esta discussão nem na STN e nem no governo federal. “Avaliamos a reunião muito positiva e que serviu para alertar o governo federal que Mato Grosso não vai deixar de se mobilizar”, finalizou Moraes.

Participaram da reunião o coordenador do Confaz, José de Jesus do Rosário Azzolini, do Maranhão, e os secretários de Fazenda dos estados do Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, São Paulo, Alagoas, Paraná e Rio de Janeiro, além do assessor econômico da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso, Vivaldo Lopes.

Estados pedem revisão de dívidas com a União

quarta-feira, 18 de março de 2009

Com o fim iminente do subsídio federal, pelo menos 13 das 27 unidades da Federação já discutem meios de realizar repactuação dos contratos

De olho na queda dos juros prevista para os próximos meses, governadores e prefeitos decidiram que vão cobrar do governo federal uma nova renegociação das dívidas dos Estados e dos municípios com a União. Em pelo menos 13 das 27 unidades da federação, já estão sendo discutidos meios de se realizar essa repactuação, como a ocorrida em 1997.

“Não tem cabimento agora Estados e municípios pagarem juros maiores do que aquele que passou a prevalecer”, afirmou o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Ele se referia à possibilidade de que, pela primeira vez em mais de 10 anos, os juros cobrados dos Estados deixarem de ser subsidiados, ou seja, inferiores à taxa Selic. Para o governador paulista, a taxa básica de juros precisa cair ainda mais e essa discussão sobre as dívidas públicas terá de acontecer.

“Esse é um problema que ou já apareceu ou vai aparecer, na medida em que os juros declinam”, declarou Serra. “E quero dizer que é necessário que os juros declinem para que a economia brasileira não continue nesse mergulho para baixo.”

Hoje, o custo da dívida renegociada é de 6% ao ano mais correção pelo Índice Geral de Preços (IGP-DI), a inflação medida pela Fundação Getúlio Vargas. Se a Selic (taxa básica de juros da economia) ficar abaixo de 6% ao ano, em termos reais (descontada a inflação), os governos estaduais e municipais estarão subsidiando a União - ou seja, o custo das dívidas renegociadas será maior do que o Tesouro Nacional paga para captar dinheiro no mercado.

O prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (DEM), também defende a flexibilização da dívida. Com um gasto mensal de mais de R$ 200 milhões para honrar essa dívida, Kassab afirmou ontem em Brasília que tem o “maior interesse em encontrar um caminho para atenuar um pagamento tão pesado” - o que não aconteceria com a mudança dos juros, mas com a alteração na parcela da receita líquida atualmente destinada ao pagamento da dívida (13%).

O prefeito, porém, diz ser contra qualquer alteração na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para que essa renegociação seja efetivada. “É fundamental para o País que essa fique como está. Ela veio para ficar”, disse Kassab.

É que, para fazer uma nova renegociação das dívidas, o governo teria de propor uma mudança da LRF, pois seu artigo 35 proíbe a realização de operação de crédito entre um ente e outro da Federação, “ainda que sob a forma de novação (uma nova dívida para substituir a anterior), refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente”.

O governo da Bahia tem mesma posição. O secretário estadual da Fazenda, Carlos Martins, afirma que o governador Jaques Wagner (PT) é favorável à renegociação dos contratos, “mas sem rasgar a Lei de Responsabilidade Fiscal”.

Investimentos

Em São Paulo, na Bahia e em Mato Grosso, os governos defendem redução das parcelas mensais de pagamento da dívida. O secretário da Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo, explica que o Estado já aderiu ao movimento liderado pelo Mato Grosso de pedir a renegociação das dívidas, desde que haja comprometimento de que os recursos que deixarem de ser pagos à União sejam usados em investimentos em infraestrutura, para atenuar os efeitos da crise.

“Em vez de pagar juros altíssimos à União, poderíamos ter esses recursos circulando na economia real, para garantir a perenidade dos empregos e gerar novos postos de trabalho”, afirma Eder Moraes, secretário da Fazenda do Mato Grosso.

Outros Estados que confirmaram que defenderão uma nova renegociação das dívidas são Acre, Amazonas, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os governadores de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), se declararam indecisos.

Contraproposta

O coordenador do Grupo dos Gestores Financeiros (Gefin), órgão auxiliar do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), Cesar Ferreira, disse ontem que até sexta-feira apresentará aos secretários de Fazenda dos Estados uma minuta, em que são propostas algumas alterações no trato das dívidas com a União. Entre as propostas está uma reivindicação antiga, que é a mudança do indexador do IGP-DI para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA).

RJ e ES contra proposta

Os governadores do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, ambos do PMDB, declaram-se contrários à ideia de renegociar os contratos das dívidas dos Estados com a União. “Acho extremamente delicado abrir uma discussão dessas em um momento em que o País acabou de receber completamente os efeitos no mercado de trabalho em dezembro e agora com os números do PIB, com queda de receitas da União, dos Estados e dos municípios”, avaliou Hartung. “Em uma hora dessas, não ajuda o País”.

Para o governador capixaba no momento, “os entes federados devem cortar custeio, controlar despesas e ver o que é possível investir, sobretudo em setores que gerem maciçamente empregos”. Cabral propõe alternativas para o momento. “Talvez, no curto prazo, os mais importantes seja p Ministério da Fazenda dar mais espaço de endividamento sempre que os limites estejam baixos do teto da Lei de Responsabilidade Fiscal. Isso pode ter um efeito maior do que abrir uma grande discussão”, afirmou.

“No curto prazo, o teto de 13% (de receita para pagamento da dívida) protege os Estados, e se de real não se precisar mais, o IGP-DI mais 6% ainda se compra com custo de financiamento da União”, diz Cabral.

Fonte: O Estado de São Paulo